Balões.

Aquela noite, aquela festa, aquelas pessoas…tudo o que sempre foi meu, sempre foi um pedaço de mim, vai acontecer pela última vez durante algum tempo. 
Eu não poderei voltar aqui até conseguir, pelo menos metade, do que estou saindo para buscar. 
Mas de qualquer forma, nenhuma visita será definitiva.  
A festa parecia ser interminável, a minha chegada parecia ser eterna, e eu tive a impressão de que só conseguiria finalmente cumprimentar todos, quando já estivesse indo embora. 
Mas acabou.
E no final, sobramos nós, porque os outros estavam terrivelmente bêbados em qualquer canto da casa, ligando para os namorados e namoradas que já se foram.
E nós acabamos deitados no sofá, olhando a sujeira que os balões fizeram no chão.
E de pensar que não te veria por dias, eu também perdi o ar.
Porque só agora, só agora, você fez sentido.
Só agora eu consegui entender o seu sentimento e senti-lo, como se sempre tivesse sido meu, sempre meu, adormecido.
Eu não ficaria nessa cidade por nós, e me negaria a aceitar caso você um dia decidisse ficar. Mas não posso negar o quanto dói.
Não posso negar que teria sido muito mais fácil se você nunca tivesse feito essa mudança toda em mim. 
Mesmo que isso seja momentâneo, mesmo que passe em alguns meses, e mesmo que você também não se lembre. 
Assim que eu disser ”Tchau” e te der o último beijo, uma parte de tudo o que sinto vai querer morrer.
Assim que o primeiro raio de sol da estrada tocar o meu corpo e ofuscar os meus olhos, eu vou querer voltar, mesmo que seja para partir outra vez.   

Somos forasteiros, em um caminho de terra, procurando a primavera que um dia deixamos partir.
Os olhos secos e a garganta feito pó, o vento sobre os pensamentos e os passos largados na estrada, típico de quem não espera mais nada.
Todo o encanto de tudo, transborda, e escorre até o fim do braço, como se pudesse tocar.
Essa era a beleza das coisas que passavam despercebidas pelas outras coisas, e se transformavam em melancolia, a mais linda e pura dor.
Condenou o seu destino pra morrer pelo amor.  
 

 

Naquela noite tudo era uma dúvida, até que ela passou o seu vestido de seda sobre o céu, e lançou o seu último adeus.
Desde então tudo é uma grande certeza, uma certeza de solidão.
Arrastando todos os medos e sorrisos que encontrar, em um caminho de pedra e de perda, que não leva a nenhum lugar.